Americana atravessa uma das piores crises hídricas dos últimos anos. Desde a semana passada, moradores de diferentes bairros relatam torneiras secas, água suja quando chega e contas altas em meio ao colapso no abastecimento. O drama, que já havia tomado as redes sociais no fim de semana, ganhou resposta oficial nesta segunda-feira (29), com o anúncio do prefeito Chico Sardelli (PV) de um decreto de emergência hídrica no município.
Nos bairros mais afetados, como Vila Amorim, Cidade Jardim, São Luís, Zanaga e Jardim São Roque, as reclamações se multiplicam. “Desde quinta-feira da semana passada, exatamente quatro dias sem água aqui na minha casa na Vila Amorim”, disse @darcivcsg.
“Desde quinta-feira sem água alguma na torneira aqui na Cidade Jardim! Já iremos para o 6º dia sem água!”, relatou @luanvieira_oficial.
Outros moradores questionaram a falta de planejamento da cidade. “Todas as cidades vizinhas têm água. Quer dizer que nenhum prefeito da cidade de Americana fez um planejamento para estiagem? Isso quer dizer que sempre foi uma cidade mal administrada? Palhaçada”, escreveu @luciarodrigues9075.
No bairro São Luís, a indignação se mistura ao crescimento desordenado: “Acho que está geral essa falta de água em Americana. Tem que comprar água, pois não tem nem pra beber, e quando tem sai suja. Isso não é de hoje, já era para ter solução. A cidade está cada vez mais construindo prédios, aí está a falta de água. Aumenta a população, e o DAE não está dando conta”, afirmou @lu_siqueiralobo.
Na Vila Santa Maria, o cenário é semelhante: “Zero água há dias. Cadê a solução? A casa dos governantes da cidade deve ter água de sobra, portanto não estão preocupados”, criticou @dallaquaf.
Entre os relatos, o de Eunice Oliveira enviado ao nosso site ganhou destaque. “Minha conta veio alta e eu tenho que lavar roupa de madrugada, que é a hora em que a água vem um pouquinho”, disse. Nas imagens, ela mostra as roupas sendo lavadas perto da meia-noite e guardando a água da máquina para usar no banheiro.
O problema também atinge o Zanaga. “Estamos sofrendo sem água. Não sei quando isso vai resolver, mas a conta no final do mês só aumenta”, lamentou @selebermaria. No Jardim São Roque, a situação é crítica desde 25 de setembro: “Antes faltava durante o dia, mas tinha água de madrugada. Agora não tem uma gota nem de dia e nem à noite”, disse @priscilaguidolin.
Americana decreta emergência hídrica por conta da escassez de água
Diante da pressão, o prefeito Chico Sardelli anunciou nesta segunda-feira (29) a publicação de um decreto de emergência hídrica. “Estamos vivendo um momento crítico, que exige respostas rápidas. O decreto vai nos dar condições de intensificar as ações necessárias para reduzir os impactos à população e garantir que todos tenham acesso à água de qualidade neste período de escassez hídrica”, afirmou.
Segundo o DAE (Departamento de Água e Esgoto), a estiagem reduziu em 90% as chuvas na Bacia do Rio Piracicaba, comprometendo a qualidade e a vazão do rio que abastece a cidade. A captação foi reduzida em 20%, e os filtros da estação de tratamento precisam de lavagens até quatro vezes mais frequentes, o que diminui a oferta de água tratada e provoca oscilações no abastecimento.
Com o decreto, a Prefeitura promete ampliar equipes de reparo, contratar caminhões-pipa para regiões mais atingidas e reforçar campanhas de uso consciente. Mas não há previsão imediata de normalização.