Filho do prefeito e presidente do PL, Franco Sardeli é Chefe de Gabinete desde 2021; MP entrou com ação, mas TJ-SP decidiu mantê-lo no cargo, alegando função política
Da Redação
No final de outubro, o STF (Supremo Tribunal Federal) liberou o nepotismo na política. Americana, porém, tem desde 2021, Franco Sardeli (PL), filho do prefeito Chico Sardelli (PL) nomeado como Chefe de Gabinete do pai. O Ministério Público entrou com ação na época pedindo a saída de Franco e classificou a nomeação como “insulto”, mas a Justiça decidiu pela permanência dele no cargo, alegando que a função é política.
Há cerca de dois meses o assunto voltou à tona. No dia 23 de outubro, o STF decidiu que a Súmula Vinculante 13, que proíbe nepotismo, não se aplica a cargos políticos de alto escalão, como secretarias municipais e gabinetes. A corte estabeleceu que parentes podem ocupar esses postos desde que tenham qualificação técnica e não haja nepotismo cruzado.
No caso de Americana a situação polêmica praticamente já foi normalizada. O prefeito Chico Sardelli e o filho Franco Sardelli já deram declarações sobre o caso em que defende que a nomeação é legal e que o cargo de chefe de gabinete se equipara ao de secretário municipal. Franco Sardelli ocupa o cargo há cerca de 6 anos. Em 2021, a remuneração do alto escalão era de R$ 15 mil. Hoje, segundo o site da própria prefeitura, os vencimentos do alto escalão podem chegar a R$ 19 mil.
Nas redes, Franco Sardelli ganhou apelidos como “o nepobaby americanense”.
Nepotismo em alta em 2025
Só neste ano, há três casos semelhantes, em que os prefeitos seguem nos cargos sob a mesma alegação na Justiça.
Em Praia Grande, o prefeito Alberto Mourão (MDB) nomeou neto, genro e sobrinha em secretarias. Em Caucaia, no Ceará, o prefeito Naumi Amorim (PSD), nomeou o filho como secretário e a irmã como assessora. Em Moraújo, também no Ceará, o prefeito Ruan Lima (PSD) nomeou a noiva e o pai como secretários.
Levantamento nacional divulgado em janeiro pelo jornal O Globo mostra que um em cada cinco prefeitos das maiores cidades brasileiras nomeia parentes como secretários, citando casos até em capitais. A prefeita de Aracaju, Emília Corrêa (PL), nomeou o marido como secretário municipal, e o prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos (Podemos) tem a esposa e a filha como secretárias municipais. Os prefeitos de Natal, Paulinho Freire (União), e de Macapá, Dr. Furlan (MDB) também nomearam as esposas como secretárias.