Ex-prefeito de Belford Roxo e presidente estadual do União Brasil no Rio, político recebeu apoio público de Flávio Bolsonaro antes de desistir da disputa ao Senado após ser preso em julho.
A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (15) Márcio Canella (União Brasil-RJ), ex-prefeito de Belford Roxo e deputado estadual eleito com 197.178 votos, a segunda maior votação para o cargo no Rio de Janeiro. A prisão ocorreu na oitava fase da Operação Unha e Carne, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro por meio de postos de combustíveis na região metropolitana do estado.
Canella é uma figura influente na política da Baixada Fluminense. Ele iniciou sua trajetória eleitoral em 2012, quando foi eleito vereador de Belford Roxo. Depois, chegou à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), onde exerceu três mandatos como deputado estadual. Em 2024, foi eleito prefeito de Belford Roxo, mas deixou o cargo neste ano para disputar uma vaga no Senado, quando teria como suplente, conforme anunciado, Rogéria Bolsonaro, mãe do senador Flávio Bolsonaro e ex-mulher do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A composição reforçava a proximidade política entre Canella e a família Bolsonaro, para além do apoio público declarado por Flávio. A candidatura, no entanto, não avançou após a prisão de Canella em julho, quando ele abandonou a disputa pelo Senado e passou a concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).Atualmente, ele preside o diretório estadual do União Brasil no Rio.
Em abril de 2026, Flávio Bolsonaro publicou um vídeo nas redes sociais declarando “apoio integral” à pré-candidatura de Márcio Canella ao Senado pelo Rio de Janeiro, a quem chamou de amigo e descreveu como competente.
O que investiga a Polícia Federal
Na nova fase da Operação Unha e Carne, a Polícia Federal investiga uma organização criminosa suspeita de utilizar uma rede de postos de combustíveis para lavar dinheiro. Segundo um relatório de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o grupo teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões entre 2020 e 2026.
De acordo com a investigação, Canella teria desempenhado um papel de articulação política no grupo investigado. A apuração também envolve suspeitas de relações entre agentes públicos e organizações criminosas. As alegações são objeto de investigação e não representam uma condenação judicial.
Além de Canella, a operação desta quinta-feira resultou na prisão de Marcus Amim, ex-chefe da Polícia Civil do Rio, e de outros policiais civis.